Penitenciar criminosos é um meio de saciar-se a sede de justiça. Isso é fato. Agora, as divergências sobre os tipos de punições são muitas, estando a pena de morte entre os temas mais polêmicos. Possui-se o direito de matar? Não seria essa uma prerrogativa exclusiva dos mais esclarecidos e poderosos perante os menores? O tema é complexo e repleto de discordâncias, e a linha é tênue.
A pena capital foi abolida no Brasil em 1891. O fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro foi o último a sofrer a execração mortal; um erro judiciário. Acusado de assassinar oito colonos, e inocentado após a execução da pena. Já era tarde. Sim, a justiça evoluiu nestes cento e dezoito anos, mas ainda carregamos o fardo da ineficácia e sucessivos erros. É arriscado aplicar um castigo irrevogável. Oitenta e três países sequer cogitam utilizar a morte como punição de crimes, mas setenta e oito nações ainda promovem execuções de criminosos. É de estranhar-se a suposta superioridade de um cidadão sobre outro, chegando ao ilogicamente contraditório homicídio lícito.
Os homens pertencem a um planeta comum e diferentes sociedades. São fruto da nossa cultura, e é ela que determina, muitas vezes, os costumes. O governo chinês, por exemplo, mata, aproximadamente, dez mil pessoas por ano, como punição de delitos. O método de execução foi desenvolvido, a fim de torná-lo mais humano – como se fosse possível – chegando a uma injeção letal, que causa parada respiratória e cardíaca. Por mais rápida e indolor que seja a morte, ela não deixa de ser a extração da vida; vida essa que é o maior e mais primitivo direito que se possui.
Superlotação dos presídios, vingança, hipotética quitação moral; nada disso serve como absolvição; a pena de morte vai contra o que se tem de mais valioso: a existência; e ainda é ineficaz enquanto redutora da criminalidade. A época do “Olho por olho, dente por dente” já passou; a represália não é a solução. Deve-se recorrer a outros artifícios, como a imposição de um regime de punição mais duro, aliado a uma segurança pública efetiva, que reduza a sensação de impunidade, sem chegar ao extremo da morte.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Pena ou pecado capital?
Postado por Marina Nessa hora aí: 18:39
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A comunicação no mundo heterogêneo
Da mímica ao discurso; do claro ao subentendido; das ondas do rádio ao papel áspero do jornal. Nos comunicamos a todo momento, em todo lugar, através dos mais variados meios, e motivados pelas mais diversas razões. Falamos, escrevemos, ou mesmo grunhimos alguma mensagem que julgamos importante. Seja por dinheiro, necessidade ou o que for; a comunicação é para as relações humanas o que o alimento é para nosso corpo: fundamental.
Fato é que não vivemos em um mundo homogêneo; estamos entre poliglotas e analfabetos. Os meios de comunicação, por sua vez, usam de todo seu poder sobre a massa, não somente transmitindo o recado, mas também tratando de formar opiniões por aqueles que não possuem tal capacidade intelectual. É lastimável ver o povo inerte, oco, repleto de lixo cultural ser influenciado, de forma explícita, sem, muitas vezes, nem se dar conta do que passa. Abram a mente! Pensem! Vivam, e aproveitem sua racionalidade na formulação de uma resposta digna a tudo isso.
Enquanto o rádio, a televisão, o jornal e a revista são para muitos, a arte é para poucos. Essa forma de expressão está elitizada, sobre um altar. E há forma mais bonita de comunicação que a arte, fruto da nossa rica cultura? Há meio mais construtivo de demonstrar nossos sentimentos aliados àquilo que defendemos, aspiramos e admiramos? Certo é que o Brasil ainda precisa trabalhar muito na qualidade de suas produções; e tentar filtrar a podridão sem cair na hipocrisia e na censura; sendo mais seletivo, valorizando a qualidade, deixando de lado a obsessão pelo lucro.
A importância da comunicação em nossa vida é a única certeza que ainda se tem. Fora isso, as dúvidas continuam a importunar a mente daqueles que ainda reagem a estímulos cerebrais. Numa atualidade onde as vogais somem, é de se temer o que acontecerá com nossas outras formas de expressão.
Postado por Marina Nessa hora aí: 07:08
segunda-feira, 27 de abril de 2009
O Sonhador
O sonho clássico é aquele conhecido conjunto de imagens e idéias, surgidas durante o sono. Esse tipo de sonho é sonhado por todos, mesmo que não seja lembrado ao amanhecer. Existe, também, o sonho ilusão; devaneio; fantasia. Há, ainda, o sonho de olhos bem abertos: a chamada aspiração. Esse é o desejo desregrado, ardente e vivo que depositamos sobre alguém ou algo. E, para finalizar, o sonho de padaria: bolo fofo, feito de ovos e farinha, e frito. São diversos os tipos de sonho, mas, para definir quem os sonha, só existe um adjetivo: sonhador.
Imagine que o Sonhador seja um bichinho que mora dentro de cada um de nós. Quanto mais sonhador o indivíduo, maior o Sonhador dele. Os grandes pensadores, presidentes e ativistas seriam os detentores dos maiores Sonhadores do mundo; os mais bem cuidados, habilitados para participar de competições. Já os reprimidos, estáticos e acomodados carregariam Sonhadores subnutridos, obscuros, esquecidos em cantinhos do nosso ser. Metáforas à parte, uma coisa é certa: se, descendo ao patamar terreno, nos damos conta de que tais seres fantásticos não existem, podemos ficar tranqüilos, pois estão entre nós os sonhadores reais.
Os sonhadores reais são os que acordam cedo para trabalhar, sonhando com um salário mais digno; ou para procurar emprego, sonhando com uma chance de sustentar a família. Esses são os sonâmbulos. Esses são os que tentam dar uma escapadinha do mundo real, fugir, deixar transbordar a imaginação, dando de ombros ao fato de que somos puxados de volta á realidade sem dó nem piedade. Esses são os políticos honestos – onde quer que eles estejam escondidos – que lutam por mudanças; são as crianças, homens e mulheres que suspiram e imploram por uma melhor qualidade de vida; são aqueles que querem mais. É inegável a necessidade humana de sonhar. Temos sede e fome de sonho. Das utopias aos que estão quase “saindo do papel”. Segundo Miguel de Unamuno, o homem vive de razão e sobrevive de sonhos. Então, que sobrevivamos!
Nós, humanos, apesar de nosso egocentrismo relutar em admitir, não somos os únicos aqui, no planeta terra. Apesar disso, podemos nos vangloriar de nossa capacidade de sonhar. Só não podemos nos perder nesse universo paralelo, esquecendo da realidade. Em parceria com a razão, o sonho saudável sempre existirá. Assim, viveremos o presente; mesmo que esse “viver” seja um “agüentar”; mesmo que esse “viver” seja apenas uma amostra grátis do que seria o que sonhamos para nós.
Postado por Marina Nessa hora aí: 13:09
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Uma questão de valores
Desrespeito; marginalidade; violência; quebra de regras. A falta de limites de crianças e adolescentes, na atualidade, é uma pequena amostra da inversão de valores, presente em nossa sociedade. Não há birra infantil ou “aborrecência” que justifique tamanho descomprometimento com as normas. Ser “menor” não é o “Green Card” da anarquia.
É passado o tempo quando jovens desregrados eram personificações de internos da FASE, antiga FEBEM. Classe média, branco, boa escola, pai e mãe. O garoto negro e pobre não é mais o exclusivo e preconceituoso estereótipo do jovem agressor. Ligamos a televisão e lá estão eles: jovens saudáveis e bem esclarecidos jogando vasos na cabeça de seus professores. Parece mentira? Também acho; mas esse caso ocorreu em Capão da Canoa, litoral do Rio Grande do Sul. Mais uma das muitas demonstrações de violência, causada por crianças e adolescentes, que podemos acompanhar através da mídia. Quem é o culpado por tamanha barbárie? A escola? A família? Qual será a solução desse problema pelo qual passamos?
Acredito que estamos vivendo uma crise de valores. Ser correto é careta. Ser bom aluno é ser CDF. Ser discreto, cortês, agradável, cidadão; nada disso importa mais. O que realmente importa é o que você tem, não quem você é, ou como se comporta. Cabe à escola tentar ser semeadora de uma boa conduta; mas só é ajudado aquele que se dispõe a tal. A família, por sua vez, tem o dever de ensinar os bons modos, o respeito e a cidadania. Creio que chegará o dia em que todos viveremos em harmonia; uma utopia desvairada, ou, quem sabe, apenas uma expectativa pertencente a esta cidadã que sonha com uma sociedade melhor na qual viver. Espero, com fervor, que nós, os jovens, reconheçamos nosso papel de “futuro”, de “esperança”, e que possamos ajudar a resgatar os valores que se perderam; que foram esquecidos ao longo dos anos.
Impor limites não é fácil. Muitas vezes, são vistos como carrascos os detentores de tal dever e “poder”. Pergunte à “Super Nani”, ou mesmo aos seus pais. Contudo, uma coisa é certa: crianças e jovens um dia crescerão; a maioria para cima, e os mais gulosos para os lados; mas o que eu espero mesmo é que cresçam as mentes, a visão de mundo e o amor ao próximo. Só assim, os vasos voltarão a ser usados apenas como adornos.
Postado por Marina Nessa hora aí: 09:47

